Arquivo para Setembro, 2006

Possibilidade de 2º turno é cada vez mais concreta

voto.gifA “Central de Inteligência” do PT, que tentou comprar o dossiê para prejudicar a candidatura de José Serra ao governo do Estado de São Paulo, e os estrategistas de Lula, que o convenceram a não ir ao debate na Rede Globo deram uma inestimável ajuda à candidatura de Geraldo Alckmin para a eleição de amanhã.

Os tucanos não precisam trabalhar para eleger Alckmin, podem sentar e esperar a máquina petista fazer o estrago na candidatura de Lula.

Lula está em queda nas pesquisas, atualmente com 50% dos votos válidos, e para ganhar no primeiro turno precisará de 50% mais um dos votos válidos. Mas como a margem de erro é de 3 pontos, para cima ou para baixo, fica  a incerteza se a eleição será decidida no primeiro turno.
Portanto, é absolutamente impossível fazer qualquer previsão, mas pela tendência observada na última semana a maré virou contra o PT, e com a candidatura de Lula em queda nas pesquisas, dá para arriscar que vai haver segundo turno.

Tragédia no vôo 1907

Meu profundo pesar com as vítimas vôo 1907 que caiu com 155 pessoas a bordo, no maior acidente aeronáutico ocorrido no Brasil. Os destroços do avião foram localizados perto da cidade de Peixoto de Azevedo, no Estado do Pará. O avião fazia a rota Manaus - Brasília. Acredita-se que a razão da queda seja por causa de uma colisão no ar com um jato corporativo Legacy da Embraer, que fez um pouso em segurança na cidade de Cachimbo. O piloto do jato disse: “do nada, uma grande sombra passou pelo avião, cortando parte de da asa, forçando o pouso de emergência”, disse Ministro da Defesa Waldir Pires. Não estão claras ainda as responsabilidades do acidente, que será objeto de inquérito. Espera-se que seja conclusivo e que não demore.
Lista dos passageiros e tripulantes, meus pensamentos e preces estão com estas famílias.

ACKER/JAQUES
ALVES/LEONARDO
ANCHIETA/ELCIO
ARAUJO/AGAMENON
ARMINDO/ANTONIO
AZEREDO/GILSON
AZEVEDO/MARCELO
AZEVEDO/OTTO BERNARDO
BARATO/JOSE
BARBERO/VALDINEI ROBERTO
BARBOSA/HENRIQUE
BARRETO/RAFAEL
BENEDITO/LUIZ ROGÉRIO
BENJAMIM/MARIA TEREZINHA
BEYER/HUGO
BONAROSKI/LUIZ
BORTOZOLO/ERTHELVINE
BOVI/MARILENE
BRANCO/KELISON
BRESSAN/KEILA
BRITO/ANA CLAUDIA
CABRERIZO/GUSTAVO
CALANDRINI/FABIANA
CALANDRINI/JOÃO ARIANO
CARDOSO/CLAUDIO
CARVALHO/LUIZ
CARVALHO/VIVIANE
CAVALCANTE/FRANCISCO
CAVALCANTE/ROSSANA
COELHO/JOSE
COLLI/VANESSA
COLOGNESE/NELSON
COPAT/IVAN
COSTA/ELISABETH
COSTA/JOSENILDA
COSTA/GILCLEY
CRUZ/CARLOS
CRUZ/MARIA VALERIA
CUSTODIO/LUIZ
DA ROCHA/CLAUDIO
DARC/JOANA
DE JESUS/OSCAR
DE JESUS/RUTH
DIVINO/SILVA
DUARTE DORIA/NILO
EUSTAQUIO/THIAGO
FALCAO/JOSEANE
FARIAS/FRANCISCO
FELIPPE/PAULO CESAR
FERREIRA/MARCELO
FONTOURA/ANDRE
FREIXO/LUANA
GARCIA/FRANCISCO
GARCIA/HELEN
GARCIA/PEDRO HENRIQUE
GODOY/HELIO
GOMES/REGINA
GONCALVES SOBRINHO/LAZA
GUIDI/JULIO
GUTJAHR/ROLF
HANCOCK/DOUGLAS
IGNACIO/JOANA
KOWALSKI/ANDREAS
LEAL/JOAO
LEITE/ANGELA
LEMOS/LUCAS
LESQUEVES/EUGENIO
LIMA/THALITA
LINS/ETEUVINO
LLERAS/MARIO
LLERAS/DANIEL
LOIOLA/FRANCISCO CHAGAS
LOPES/MARCELO PAIXAO
LOPES/MARCELO
LOPES/MARCELO
LUCAS/ESDRAS
MACEDO/OLGA
MACENA/MARIA AUXILIADORA
MACHADO/MARLON
MACHADO/VALDOMIRO
MAGALHAES/ROSANA
MAIA/MARIA ZILDA
MAIA/LAVOSIER
MALAFAIA/MARIO
MARQUES/INEZ
MATTOS/ANTONIO
MELO/OSMAN
MELO/IZELIA
MENDES/JULIO
MENDES/AUGUSTO
MENDES/MARINA
MICHEL/FREDERICK
MIRANDA/RONIVON
MORAES/GLECIO
MOREIRA/PATRICIA
MOREIRA/QUEZIA
NARANJO/RAYSSA
NARDT/FRANCISCO
NERES/KARLA
NOE/RONALDO
OLIVEIRA/CHARLIE
OLIVEIRA/MARCIO
OLIVEIRA/FRANCISCO
OLIVEIRA/ENIO DE
OLIVEIRA/VANDEMIR
OLIVEIRA/ANTONIA
PADILHA/JANINE
PANIZZI/LOURDES
PEIXOTO/PEDRO
PESSOA/ANTONIO
PIMENTEL/WALTER
PIVOTTO/ELETA
PRADO/DORNELIO
RADESCA/RICARDO
RAMOS/JOAO ELOI
REZENDE/ATILA
REZENDE/ISMAR
REZENDE/MARIA
REZENDE/FRANCIELLE
RICKLY/MARIA DAS GRAÇAS
RIGUEIRA/MARCELO
ROCHA/SALUSTIANO
RODRIGUES/MARIA JOSE
RODRIGUES/ADAIR
RODRIGUES/ANTONIO
ROMANO/MAURO
RONDINI/MICHEL
ROSA/CLAUDEMIR
SANT ANNA JUNIOR/MOZART
SANTOS/PAULO
SANTOS/ALEXANDRE
SANTOS/EMANUELLE
SANTOS/LUIZ
SILVA/FELIPE
SILVA/ANA
SILVA/DANIEL
SILVA/JUVÊNCIO
SILVA/ROGERIO
SILVA/MARIO
SIQUEIRA/PLINIO
SOUSA/CARLOS
SOUZA/EDUARDO
SOUZA/RICARDO
SOUZA JUNIOR/CARLOS
TARIFA/RICARDO
TRINDADE/JOSE
VIANA/HUEDERFIDEL
VIANNA/HAMILTON
XAVIER/SAMANTHA

TRIPULANTES:

COMANDANTE DECIO CHAVES JR.
CO-PILOTO THIAGO JORDÃO CRUSO
COMISSÁRIA RENATA SOUZA FERNANDES
COMISSÁRIA SANDRA DA SILVA MARTINS
COMISSÁRIO NERISVAN DACKSON CANUTO DA SILVA
COMISSÁRIO RODRIGO DE PAULA LIMA

Leitor de *.pdf

foxit, originally uploaded by Abe_Estrada.

Todo mundo se acostumou a usar o Acrobat Reader para ler arquivos *.pdf. O lado ruim do Acrobat é o tamanho para fazer o download: 20 megas.

Como alternativa, sugiro o Foxit 2.0 for Windows, ele abre  arquivos *.pdf mais rápido que o Acrobat e possui apenas 1,5 megas de tamanho. Muito simples o download e a instalação.

Recomendo!

O fim do celular pré-pago

celular, originally uploaded by r0drig0 FL0res.

Celular pré-pago está virando celular de conta e ninguém está percebendo.

Pelo que vi no meu celular da operadora Claro Digital, as novas regras do celular de cartão obrigam o usuário a colocar crédito todo o mês, sob pena deles perderem a validade.

Na prática funciona assim: coloco um crédito de R$ 50,00 e aí tenho um mês para colocar mais outro crédito. Se fico um mês sem adicionar o crédito, aparece a mensagem de que meu crédito perdeu a validade. Se volto a colocar o crédito, este último é adicionado ao crédito remanescente. Assim, se dos R$ 50,00, usei R$ 25,00, ao recolocar novo crédito, estes R$ 25,00 são somados ao valor do novo crédito.

O interessante é que assim o usuário do celular está obrigado a comprar crédito todo o mês. Igualzinho a um celular com conta, exceto pelo fato de (ainda) estar livre da excrecência da “assinatura básica”, aquela invenção do nosso regime capitalista em que a operadora de telefonia pode cobrar mensalidade do usuário sem ele utilizar o serviço.

Para mim, a existência da “assinatura básica” e a ANATEL consentir em anular um crédito que o consumidor adquriu é o mesmo legalizar o estelionato. Equivale retornar à lei da selva.

Pode ter 2º turno

voto-2.gifNestas alturas, pouco importa saber com quantos  votos  Lula lidera a corrida presidencial.

O maior mistério é saber se vai ter segundo turno, e para isso, deve-se verificar os percentuais de votos válidos, isto é, aqueles que não levam em conta os nulos e em branco.

Na data de hoje, o Instituto Datafolha divulgou que Lula tem 53% dos votos válidos.  Alckmin teria 35%. Heloísa Helena somaria 9%, e Cristovam Buarque, 2%.

O percentual de Lula, 53% dos votos válidos, estão dentro da margem de erro, para cima ou para baixo,  e mais importante, as pesquisas mostram declínio das intenções de voto no presidente.

Pequeno declínio, é verdade,  mas   a margem de segurança de 3% também é muito pequena para se poder desprezar o aumento ou diminuição de um ponto percentual sequer, que poderá, ou não, decidir se vai haver segundo turno ou não.

De fato, a margem no dia de hoje é pequena, e poderá se estreitar ainda mais no dia da eleição.

Mistério que só será desfeito na hora da apuração.

Cicarelli e a blogosfera brasileira

Recado pros cuecas de plantão: neste post não tem link para o video.

Enquanto eu estava lendo e pesquisando textos sobre a Revolução Farroupilha, a blogosfera entrou em polvorosa com o video das cenas quentes da Daniela Cicarelli e do namorado gravadas clandestinamente numa praia da Espanha.

Com o frenesi da blogosfera brasileira, aconteceu algo que eu achava impossível: a palavra Cicarelli apareceu no domingo, 24 de setembro, em primeiro lugar na lista do Technorati. Para quem não sabe, em resumo, o Technorati é maior arquivo de blogs do mundo no qual as pessoas podem pesquisar o que a blogosfera pensa sobre determinado assunto.

Desde que iniciei a blogar nunca vi na lista dos “top searches” o termo Lula, mensalão, sanguessugas, dossiê. Nem imaginava que a blogosfera brasileira soubesse do que se tratava o Technorati.

Cicarelli provou o contrário, a blogosfera brasileira mostrou sua força com o episódio. Embora eu tenho certeza de que os sujeitos que digitavam “Cicarelli” no Technorati estavam atrás do vídeo e não propriamente de comentários, o que prova que, pelo menos em números, a blogosfera brasileira tem peso, o que falta ainda é cérebro…

A Crise Final

Barão de Caxias, futuro Duque de CaxiasEm novembro de 1842, num ano de poucos confrontos, o Império nomeou para a presidência da província Luís Alves de Lima e Silva, o Barão de Caxias, futuro Duque de Caxias. Ao contrário dos outros presidentes da província do Rio Grande do Sul, Barão de Caxias era um administrador e um militar competente. Embora a essas alturas da guerra o Império já concentrava mais de 11 mil soldados na província, o que correspondia a 2/3 do exército brasileiro, na tentativa de sufocar a rebelião através de uma ofensiva final, o fato era que os farroupilhas dominavam o interior da região. Embora em número bem menor, os farrapos tinham a vantagem da mobilidade tática e o conhecimento do terreno.

Essas vantagens ainda assegurariam a vitória dos Farrapos nos banhados de Ponche Verde em 26 de abril de 1943.

Mas fato é que ao longo de 1843,  percorre a República um profundo sentimento de impotência provocado pela fragilidade militar dos revolucionários, pela exaustão da guerra e pela crise financeira.

Embora externamente a guerra continuasse, no âmbito interno da República os desentendimentos se acirravam, com os entendimentos com o Barão de Caxias como objetivo de dar  um fim a guerra.

O Tratado de Ponche Verde 

Em 1844, Bento Gonçalves assumiu pessoalmente as negociações de paz, deixando posteriormente a missão a David Canabarro.

Foi um acordo difícil de alcançar, um dos impasses era que os farrapos desejavam um tratado de paz, mas o Império rejeitava com o argumento que este só se faz  entre países. Enfim, a negociação terminou num acordo, fazendo com que a luta terminasse sem uma humilhante deposição de armas por parte dos farrapos. Os principais pontos foram:

*Os rio-grandenses indicariam o novo presidente da província-o próprio Caxias.

*O Império pagaria as dívidas do governo republicano.

*Os oficiais republicanos seriam incorporados ao exército imperial nos mesmos postos, exceto os generais.

*Eram declarados livres os escravos que lutaram ao lado dos republicanos.

*Continuavam válidos todos os processos julgados pela justiça republicana.

*Seriam devolvidos à província todos os prisioneiros de guerra.

*Elevação da alíquota em 25 % sobre a importação do charque.

No local onde foi assinado o tratado, a 38 km da cidade de Dom Pedrito, Rio Grande do Sul, lêem-se estas palavras:

“Nestes campos de Ponche Verde, em 1º de março de 1845, os defensores do Império e os republicanos de Piratini asseguraram a unidade nacional, com a pacificação do Rio Grande do Sul.”  

Fontes:

História Ilustrada do Rio Grande do Sul, JA Editores, 1998

Gaúcho@Site 

Popa.com.br - Navegando no Guaíba

Site do Gaúcho 

O Começo do Fim da República

Batalha dos Farrapos de José Washtk Rodrigues

 

A cidade de Caçapava, a atual capital da República, que substituiu a cidade de Piratini, era um local onde os farrapos sentiam-se em segurança. Tão seguros que insistiam no cerco a Porto Alegre, tentando retomá-la.
Mas em março de 1840 a cidade é invadida de surpresa pelo exército imperial.

Hora da capital da República colocar o pé na estrada, pela segunda vez…

A “república andarilha” desta vez escolheu a cidade do Alegrete, nos confins da campanha, para ser a nova capital. Os equipamentos e arquivos da administração são colocados em carreta de bois e o comboio toma a estrada.

A Batalha de Taquari

A página do Gaúcho conta o que veio a seguir: “O episódio, entretanto (a perda de Caçapava), deixou claro aos republicanos que novas tropas estavam sendo recrutadas pelos imperiais e que o passar do tempo sem ações militares de maior envergadura os prejudicava. Aquelas alturas, sem esquadra ou mesmo um navio qualquer, Bento Gonçalves e os seus chefes militares tinham dificuldades, pois os imperiais eram senhores absolutos da Lagoa dos Patos, o que lhes permitia o acesso fácil com o Porto de Rio Grande e do Rio de Janeiro, de onde recebiam armas, munições, suprimentos e pessoal, que desembarcavam em Porto Alegre sem serem admoestados.

Enquanto os republicanos dispunham de tropas irregulares formadas pela gente simples do povo gaúcho, os imperiais dispunham de recursos fartos, de linhas de navegação e de novas tropas que formavam-se a cada dia.

Urgia, portanto, desencadear uma grande ação militar, capaz de decidir a consolidação da República, antes que o Império se reestruturasse militarmente e que fosse tarde de mais. Por decisão do estado maior republicano, concentraram-se suas forças, com o objetivo de em um único e grande combate, derrotarem definitivamente o Império e apoderarem-se de Porto Alegre. Num segundo momento, seria tentado o assalto ao Porto de Rio Grande.

Foi, então, necessário unir as tropas republicanas estacionadas em Taquari, com as de Viamão, leste de Porto Alegre fechando o cerco à cidade, isolando os inimigos que estavam ao norte e leste. Esta manobra também visava impedir que novos reforços oriundos da região sul viessem em sua ajuda.

Depois de algumas escaramuças com os imperiais, o general Zeca Neto e o General Bento Gonçalves, conseguiram, finalmente, nas proximidades do Arroio Azeredo, unirem seus exércitos, formando um único contigente de seis mil homens, sendo cinco mil na cavalaria e mil na infantaria. Nenhum dos dois dispunha de artilharia.

Apesar do assédio à Porto Alegre, esta operação tinha sido impedida diversas vezes pelas forças regulares imperiais acantonadas nas cercanias. De formas que o encontro de Zeca Neto e de Bento Gonçalves, com seus respectivos exércitos, foi comemorado nas hostes farrapas. Ali estavam todos os grandes chefes farroupilhas: Bento Gonçalves, Zeca Neto, Onofre Pires, David Canabarro, Teixeira Nunes, Giuseppe Garibaldi, Corte Real, João Antônio, Marcelino Manoel além de muitos outros. Ao lado de Giuseppe Garibaldi, Anita. Iniciada a marcha rumo a Porto Alegre, sabiam que logo seriam interceptados pelos imperiais, que sentindo ser necessário combater a força que a República havia formado, apressou-se o comando militar, sob a responsabilidade do general monarquista Manoel Jorge, em juntar todas as suas forças e opor-se a investida que armavam os republicanos. Dispunha do dobro de homens na infantaria, um número maior de cavalarianos e de duas companhias de artilharia.

Era o dia 03 de junho de 1840, quando, às oito horas da manhã, nas proximidades de Taquari, no passo do Pinherinho, sentindo que o combate seria eminente, perfilaram-se os dois exércitos, prontos para a grande e decisiva batalha, que decidiria definitivamente a unidade ou o desmembramento do império brasileiro.

A batalha, porém, não aconteceu com a totalidade das forças dispostas. Hesitações de ambos os lados, que não ordenaram o ataque definitivo, fizeram com que esta grande batalha se fracionasse em alguns encontros, aqui e acolá, por vanguardas de ambas cavalarias que encontraram-se no passo do rio Taquari e nas tentativas de cortarem um e outro movimento de suas vanguardas e retaguardas. É bem provável que Bento Gonçalves tenha hesitado em virtude do inimigo possuir pesada artilharia, enquanto ele não dispunha de nenhuma para contrapor-se. Assim, embora não ordenou o ataque final, que poderia ter derrotado os imperiais pela sua péssima localização geográfica, houve um confronto de significativas perdas para ambos os lados contendores.

Ao final do dia, os republicanos contaram 270 mortos, enquanto os imperiais registraram 201 baixas. Ambos os lados sentiram-se vitoriosos. Na verdade este encontro demonstrou um grande equilíbrio de forças, que quase nada alterou em termos de vantagens para um ou outro lado. Para Morivalde Calvet Fagundes, “… o número de baixas teve uma diferença insignificante. Depois do combate cada um seguiu para seu lado. Não houve perseguição … Logo o combate terminou empatado, sem vencedor, nem vencido.” Para ler o artigo completo, clique aqui.

Em junho do mesmo ano, o império conquista São Gabriel. Em julho Bento Gonçalves fracassa conquistar São José do Norte. Mais um fracasso dos farroupilhas ao tentar conquistar uma saída para o mar. Em novembro, Viamão, nas cercanias de Porto Alegre, foi conquistada pelo Império. Das 12 batalhas disputadas em 1840, os farrapos perderam nove.

O Pampa Vira Mar

Travessia dos lanchões sobre o pampa

Antônio Vicente Mendes Maciel (1830-1897), o Antônio Conselheiro, líder religioso da Revolta dos Canudos, profetizou que um dia o sertão viraria mar e o mar viraria sertão.

Se Antônio Conselheiro fosse farroupilha veria sua profecia ser realizada em solo gaúcho, com a diferença de que seria a vez do pampa virar mar.

O ano de  1838 não foi animador para a Revolução. Os farrapos fracassaram em tomar o porto de Rio Grande e continuavam sem uma saída para o mar. O sítio de Porto Alegre seguia num impasse.
No ano seguinte, a capital farroupilha foi mudada para Caçapava, numa região mais protegida, com o fim de escapar da pressão exercida sobre Piratini.

Giuseppe Garibaldi, italiano perseguido e refugiado no Brasil em razão de um levante republicano na Europa, visitou Bento Gonçalves na prisão em janeiro de 1837. Nascera o apoio dos exilados à causa republicana.

Na ocasião da visita a Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi recebeu uma carta de corso, documento que autorizava apresar navios, destinando metade de sua carga à causa da revolução. Ainda no Rio, Garibaldi aprisiona o navio “Luíza”, rebatiza-a de Farroupilha e orgulhosamente a bandeira tricolor da República Rio-Grandense tremula em águas brasileiras. É o primeiro navio da armada da jovem república.

Após muitos desafios (prisão em Montivideo, torturado em Buenos Aires), Garibaldi chega a Piratini no final de 1837. É incumbido da missão de fazer corso nas águas internas contra as embarcações leais ao Império. A atividade de corso (autorizada por um documento chamado de “carta de corso”) consistia na autorização dada à alguém apresar navios contando que metade do valor da carga fosse destinada à revolução.

As águas internas da República, onde Giuseppe Garibaldi iria agir,  compreendia a Lagoa dos Patos, a leste da província, sob o domínio militar do Império. Mas isso não impediu os estrategistas da República engendrar um plano para conquistar Laguna, em Santa Catarina, e obter a sonhada saída para o mar. A conquista do porto seria de vital importância, visto que por ele os farrapos poderiam obter armas e dificultar as linhas de abastecimento marítimo do Império que chegavam ao porto de Rio Grande.

Mas, considerando que o porto de Rio Grande estava sob o domínio do império, como seria possível sair da Lagoa dos Patos e rumar a Laguna?

Os republicanos prepararam dois lanchões, o Farroupilha e o Seival. Os lanchões partiram rumo ao nordeste da lagoa e escaparam da armada do comandante imperial John Pascoe Grenfell, que os impôs uma desastrosa derrota em Fanfa.

Navegaram o Farroupilha e o Seival até a foz do Rio Capivari (clique aqui para conhecer a região) e de lá fizeram uma jornada épica pelo pampa, seguindo por terra cerca de 80 km, até a praia de Tramandaí. Para atravessar o pampa foram colocadas enormes rodas nos lanchões que foram puxados por juntas de bois, enfrentando o barro, o vento, a chuva e o frio do inverno gaúcho. Não obstante a ousadia do plano, a manobra de Giuseppe Garibaldi foi bem sucedida. Os lanchões chegaram ao mar e desfraudaram novamente a bandeira tricolor da República, para o espanto de Grenfell, que os esperava no Rio Capivari.

Sem dúvida foi uma das operações militares mais corajosas da história. Atravessar uma lagoa sem a segurança da superioridade bélica, sob o risco dos barcos serem esmagados pela armada imperial e posteriormente atravessar por terra 80 quilometros enfrentando as interpéries do inclemente inverno gaúcho fez da missão de Garibaldi um ato heróico, quase suicida. Mas funcionou. O feito é até hoje reproduzido nos desfiles de 20 de setembro.

Rumo a Laguna

Apenas o navio Seival resistiu a travessia até laguna. O Farroupilha, que levava Garibaldi, naufragou ao largo de Araranguá, mas o italiano sobreviveu.

Os farroupilhas fizeram um ataque coordenado por terra e mar a Laguna, com Guiseppe Garibaldi no comando do Seival e a cavalaria sob o comando de Davi Canabarro pelo litoral. Pegos totalmente de surpresa, os imperiais fogem. O povo recebe os republicanos com festa. Enfim, a República Rio Grandense obtém sua saída para o mar.

Em 29 de julho 1839 é proclamada a República Catarinense, chamada também de República Juliana, por ter sido fundada em julho.

Audácia Excessiva

Os republicanos resolvem avançar rumo ao norte. Tentam tomar a Ilha do Desterro (atual Florianópolis), mas são surpreendidos por forças superiores. Davi Canabarro ordena que frota farroupilha, reforçada pelo butim obtido em Laguna, intensifique as operações de apresamento de navios com bandeira do império.

Os navios Caçapava, Rio Pardo e Seival rumam a Santos, no litoral paulista, mas são perseguidos por forças superiores e são obrigados a retornar ao sul, travando violento combate em Imbituba, praia de Santa Catarina.

Finalmente, em 15 de novembro de 1839, um maçiço ataque das forças do império, combinando a marinha, a cavalaria e a infantaria, expulsa os farrapos de Laguna. Lages, por sua vez, resiste até o começo de 1840. É o fim da República Juliana, ou, na visão dos farrapos, o fim do sistema federativo.

Ironicamente, exatamente 50 anos após o esfacelamento da República Juliana, a República seria proclamada no Brasil, como se fosse um castigo à monarquia…

Tempos Felizes

Sede do governo republicano em Piratini, RS. O local  hoje abriga um museu. Após a desgraça na Ilha de Fanfa, com Bento Gonçalves preso, as tropas de Antônio de Souza Neto sofrem alguns reveses no interior da província, o governo imperial acena com a anistia aos rebeldes.

Parecia que a República estava perdendo sua causa.

No entanto, os farroupilhas ganharam novo ânimo com a mudança de política do império em relação à província do Rio Grande do Sul.

Pressionado pela Câmara dos Deputados, o regente Pe. Diogo Feijó substituiu Araújo Ribeiro pelo Brigadeiro Antero de Brito, acumulando o cargo de comandante militar, sendo-lhe ordenado tratar os rebeldes com dureza. Em Porto Alegre, as cadeias ficam lotadas, funcionários públicos são demitidos, simpatizantes à causa dos farroupilhas são expulsos da cidade.

A mão dura do império não abateu os rebeldes e em janeiro de 1837, Lages, em Santa Catarina foi tomada pelos farrapos. Em 30 de abril do mesmo ano, reconquistaram Rio Pardo, a mais populosa cidade da província, à margem do Rio Jacuí, no “portal da campanha”, o interior da província, onde os farrapos levavam vantagem contra os imperiais. Parecia que o desastre de Fanfa tinha sido apagado, ocorrido no mesmo Rio Jacuí.

Luiggi Rossetti, um italiano recém chegado a Piratini descreve o clima na cidade: “Nunca tinha visto um povo tão animado. O entusisamo disso me comoveu até as lágrimas. Esta noite haverá fogos e hinos…”.

Para o êxtase dos farroupilhas, chegara a notícia que Bento Gonçalves conseguira escapar da prisão e assumiria a presidência da República em 16 de dezembro.

Os combates diminuiram nos anos seguintes. Os serviços administrativos da República organizam-se com a representação no exterior das nações vizinhas, a implantação do serviço dos correios e a instituição de um novo regime tributário. Funda-se um jornal de idéias republicanas, chamado “O Povo”.

Crédito da Foto: Gaúcho Site

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