Arquivo para Outubro, 2006

Rumo a Buenos Aires!

Tango in Buenos Aires

Originally uploaded by Sassilass.

Enfim, vou aproveitar um feriadão!
Vou a Buenos Aires, saio quarta-feira às 18:30 e volto no domingo.
Colocarei neste blog algumas fotos de minha autoria da capital portenha tão cedo quanto possa. Mas a maioria das fotos estarão no Rodrigo Mochileiro.

Aproveitem o feriado e desculpem o spam ;-)

Fumantes sem vez nos hospitais públicos

Deu  no Consumidor RS, um site de notícias, que o governo inglês  decidiu excluir os fumantes da lista de espera das cirurgias. Lá, como aqui, a saúde pública também tem problemas com filas, mas pelo que vi, o governo inglês tem o direito de organizar a saúde pública conforme critérios administrativos.

A explicação é que a operação é muito cara e isso poderá servir como alerta para eles (os fumantes). A instrução é que eles abandonem o hábito ou então não poderão fazer a cirurgia custeada pelo governo. Terão que pagar com o próprio bolso.
Aduziu, ainda, que os fumantes oferecem maior risco de complicações e demoram mais na recuperação, o que gera maiores gastos hospitalares.

Só serão excluídos os fumantes em situação de urgência.

No Brasil, o Judiciário jamais permitiria o governo fazer este tipo de política de saúde, uma vez que a Constituição diz:  “saúde é direito de todos e dever do Estado”, o que significa dizer que o sujeito pode ser irresponsável consigo mesmo por toda a vida que a nossa pátria-mãe-gentil irá gastar milhões de reais pela sua recuperação, quando após, poderá voltar a fumar.
Num país mais realista, cada um seria responsável pelos seus atos, mas a idéia fundada na responsabilidade individual não vingou na Constituição.

Talvez por não dar voto.

Lula é o Presidente

Agora vai… “Deixa o homem trabalhar…”

Originally uploaded by leandroMoraes.

Com 58 milhões de votos, Lula continuará por mais 4 anos na Presidência.

O povão votou na estabilidade econômica, a cesta básica barata e o crédito consignado.

Há de se reconhecer, a famosa frase de James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, deu o tom da eleição, como quase sempre acontece com as democracias ocidentais: “é a economia, idiota”.

Paradoxalmente, dirigentes do PT manifestaram-se logo após a eleição afirmando que a “era Palocci chegou ao fim”. Para eles, o que consagrou a eleição de Lula foi o bolsa-família e o assistencialismo. Pretendiam mudar o rumo da economia, sabe-se lá para onde. De forma responsável, Lula os desautorizou.

Lula é o Presidente, apesar do PT.

Cargo público, tão incompreendido e tão desejado…

funcionario-publico.gifHoje é meu dia. Dia do funcionário público.

Temos a fama de trabalhar pouco e ganhar muito.

Nossa função, que muitas vezes envolve o trabalho de limitar direitos particulares em favor do interesse público ou da coletividade é muito mal compreendido pela população.

De qualquer jeito, gostaria que as pessoas imaginassem como seria a vida sem os professores que ensinam as crianças, os policiais que patrulham as ruas, os auditores que não deixam os governos errar na administração.

Não obstante muitas vezes ser uma profissão odiada, dada a instabilidade da situação econômica, cada vez mais pessoas concorrem a concursos públicos, não importando quanto pode ser desinteressante o trabalho e o salário de um servidor público.

É o paradoxo que vive o funcionário público. Ter fama de preguiçoso e possuir, ao mesmo tempo, um cargo desejado por muitos.

Apenas um conselho para quem deseja ser funcionário público: não  entre no serviço público pensando em não trabalhar.  Se você pensa assim não está escolhendo a profissão certa. E gente deste tipo é indesejada no serviço público, assim como em qualquer atividade.

A fantasia e a realidade

eleicoes.gifO último debate entre Alckmin e Lula foi surrealista.

Como era de se esperar, a Globo preocupou-se muito mais com o visual do cenário do que o conteúdo. Na verdade, os candidatos pareciam apenas coadjuvantes no meio daquela parafernália eletrônico-visual montada. O ridículo chegou ao ápice quando Lula e Alckmin apertavam os botões numa espécie de controle remoto de um telão e acima deles aparecia  a imagem  de um popular  apresentando-se e logo em seguida fazia a pergunta aos candidatos. Cena digna de um programa de auditório da MTV ou do Sílvio Santos.

Em contraste com o cenário de ficção científica montado pela Globo, os populares (donas de casa, microempresário, agente de trânsito…) que apresentavam as perguntas levaram aos candidatos o Brasil real: enchente que leva os móveis da casa, trabalho sem carteira assinada, angústia com a aposentadoria.

Algumas perguntas  nem deveriam ser apresentadas aos candidatos a presidente, e sim ao prefeito (maior parte delas) e aos governadores dos estados.

De qualquer jeito, os candatos fizeram o possível para responder, ou às vezes para fugir do assunto.

  Pouco se aproveitou do debate.  Num cenário de programa de auditório, os candidatos eram apenas figurantes, que nem tinham tempo suficiente para responder as perguntas.

Para mim, o povão saiu com muito mais dúvidas que respostas.

O melhor debate foi o primeiro, promovido pela Band, no qual foram apresentadas perguntas pertinentes, num ambiente sóbrio, cujas atrações eram os candidatos e as idéias e não os efeitos especiais.

De qualquer jeito, a eleição está decidida.

Constituinte me assusta

Geraldo Alckmin comprometeu-se  não convocar uma assembléia constituinte. Lula não se comprometeu com nada. Disse que se o povo quiser, não haveria razão por que não convocá-la.

Convocar uma assembléia nacional constituinte significa fazer uma nova Constituição para o país. Reconhece-se que a atual não presta e faz-se outra.

Como fazer, ninguém sabe como, uma vez que o Congresso, com a credibilidade despedaçada, não teria autoridade para tanto. O  corporativismo próprio  da classe política impede que o texto avançasse em alguns sentidos, como as despesas do Congresso Nacional.  Cogitou-se junto com a Ordem dos Advogados do Brasil convocar uma comissão de notáveis e posteriormente submeter o texto a um plebiscito popular.

Meu medo é que no atual estado das coisas, com alguns inocentes úteis   exigindo rapidez nas reformas, a balança do poder penda para o lado do Poder Executivo para acelerar as coisas e o país passar a ser governado num regime autoritário.

Um Poder Executivo com maiores poderes poderá resultar num regime chavista ou alguma república bolivariana.

Último debate será decisivo?

eleicoes-2.gifRecebi um comentário muito interessante sobre a eleição presidencial, foi escrito por Vitor Santos, cientista político, membro da Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB/SP e membro do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, vou transcrever parte dele:

“Segundo alguns analistas, há um empate técnico entre os candidatos, principalmente com apoio recebido pelo Geraldo em São Paulo, do PMBD, PDT e da Força Sindical, entretanto, não podemos esquecer que São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil com aproximadamente 26 milhões de eleitores.

O último debate que será realizado entre os candidatos a presidência, é de suma importância, poderá decidir em favor do candidato que melhor se apresentar, principalmente daquele que demonstrar equilíbrio, for convincente e persuasivo nas suas respostas. Poderá sai do debate o vencedor das eleições, que com certeza, ganhará por margem pequena de votos.”
Da minha parte, estou cético do quanto o último debate será decisivo. Será que depois dos quatro debates há mais alguma questão que se deva discutir entre Lula e Alckmin a ponto de fazer o eleitor mudar de voto? Acho difícil haver surpresas. Ou, se houver, é mais difícil ainda Lula não ter uma resposta a alguma pergunta inesperada.

Usando uma analogia do futebol, acho que Lula vai jogar na retranca. O empate lhe serve. Provavelmente vai levar uma pilha de dados e números e despejar em cima de Alckmin, tentando manter o debate morno. Ainda mais que numa ação no Tribunal Superior Eleitoral foi decidido que a apresentação de números é parte da campanha eleitoral e não cabe a Justiça apreciar este tipo de questão.
Para mim, como já escrevi, a eleição está decidida, de fato conquistar o voto do Estado de São Paulo é muito importante, visto que é o maior colégio eleitoral do Brasil, mas ambos são bem votados em São Paulo, dada as origens de Alckmin e Lula. Mas tem o voto do resto do Brasil, com o Sul apoiando Alckmin e o Nordeste com Lula, embora Lula esteja recuperando terreno onde está perdendo, inclusive no Rio Grande do Sul.

Vou assistir ao último debate, mas não tenho mais dúvidas quem vai ganhar no domingo que vem. Minha única dúvida é se o Chuchu irá apimentado ao debate ou não…

A campanha eleitoral acabou, Lula está eleito

Numa entrevista para a Folha, reproduzida pela Revista Veja, foi feita a seguinte questão para Lula: “Tenho 61 anos, sou pai de quatro filhos adultos, todos com curso superior, mas com dificuldades de bons empregos ou de empreender. Como é que o seu filho conseguiu virar empresário, sócio da Telemar, com capital vultoso de 5 milhões de reais?”

Contudo, uma pergunta muito parecida poderia ser feita para Geraldo Alckmin: “Tenho 61 anos, sou pai de quatro filhos adultos, todos com curso superior, mas com dificuldades de bons empregos ou de empreender. Como é que o sua filha conseguiu emprego numa loja chique, alvo de investigação da Polícia Federal e responde  a vários processos de sonegação fiscal na Justiça Federal”?
Portanto, respondendo a um comentário feito pelo Professor Bandini, do Eu Vi Anteontem, não acho que Lula e Alckmin sejam muito diferentes.

Parece que o povão preferiu mesmo se preocupar com os problemas do cotidiano, como o preço da comida, os programas sociais, o empréstimo consignado. Nestas questões, eu acho que o PT fez um governo melhor que o FHC.

E na data de hoje, para variar,  segundo o Datafolha, Lula subiu nas pesquisas, agora são 58% para Lula e 37% para Alckmin.

Para mim a eleição está decidida.

Leituras em trânsito

Luz

Originally uploaded by r0drig0 FL0res.

Disse o Rabi Zussia a um discípulo: “Os dez princípios do servir não te posso ensinar. Mas podes aprendê-los com uma criança e com um ladrão.
Da criança aprenderás três coisas:
Ela é alegre, sem precisar de estímulo,
Ela não passa um só instante em ociosidade,
Ela quando lhe falta alguma coisa, sabe exigi-la energicamente;
Sete coisas ensinar-te-á o ladrão:
Faz seu serviço durante a noite,
Se uma noite não consegue o que quer, dedica-lhe a seguinte,
Ele e seus colegas de trabalho amam-se entre si,
Arrisca a vida por uma ninharia,
Dá tão pouco valor ao que apresa que vende a preço de ninharia,
Deixa que sobre ele chova pragas e pancadas e pouco se importa,
Seu ofício lhe agrada muito e não troca por nenhum outro.”

Trecho de um livro lido na Rodoviária de Jaguarão, enquanto esperava o ônibus de volta para casa.  O livro era Histórias do Rabi, de Martin Buber, 2ª Edição, pág. 147-148, Editora Perspectiva.

Dar valor ao que é importante

confusion

Originally uploaded by itsnihal.

É costume no trabalho as pessoas dizerem na segunda-feira: “não vou me irritar porque é segunda”.

Mas e os outros dias? Bem…

Seria cômico se não fosse preocupante ver um sujeito todo engravatado, com peso acima do indicado, num balcão de um prédio público, com agenda, informações processuais, chave do carro em cima da papelada, numa sexta-feira, faltando menos de cinco minutos para terminar o expediente (e conseqüentemente começar o fim-de-semana), folhando furiosamente um processo e esbravejando impropérios contra a autoridade (”esse cara é louco”!!!) na frente de um servidor que nada tem a ver com o assunto, fingindo mostrar interesse pelo espetáculo patrocinado pelo Dr. Stress.

Afinal o que se ganha com isso?

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