Arquivo para Março, 2007

Como destruir uma reputação em um segundo

Rabino Henry Sobel foi acusado de furtar  uma gravata numa loja de West Palm Beach, na Florida. Foi fichado pela polícia local. Ele nega a intenção de furto.

Na Lei de Moisés está escrito: “Não terás nenhum Deus antes de mim”.

Rabino Henry Sobel é um homem de uma enorme inteligência. Já usei comentários dele no meu blog. Mas, segundo o que li, ele é obstinado por gravatas de grife, hábito bastante singular entre pessoas religiosas, seja de qual for o credo, que optam por viver na simplicidade.

Quando o indivíduo passa a ser fanático por alguma coisa perde o senso do ridículo. Coloca essa coisa acima de tudo. E exatamente por causa disso que uma vida pode ser mudada em um segundo, principalmente quando estamos em público ou no trabalho.

Uma vez, ao terminar o interrogatório de um inquérito administrativo de um semvergonha, que tinha surrupiado 17 pratos de uma escola, o advogado dele falou para mim: “foi a hora boba, Rodrigo”.

Puizé…

Lei para os folgadões

Os advogados têm má fama. Ela se reflete no cinema, na literatura, nas notícias. John Grishan, ex-advogado e escritor de sucesso de romances jurídicos, desenha um retrato devastador da advocacia em “O homem que fazia chover”. Às vezes os leitores comentam neste blog: “Rodrigo, você é um cara legal, apesar de ser advogado”.

O motivo da fama de advogado é um bom tema de reflexão para os profissionais da área. É preciso mudar.

Acho que o exame de ordem foi uma boa idéia para selecionar os profissionais que realmente são capacitados para exercer a atividade da advocacia. No exame de ordem exige-se na prova não só o domínio técnico das disciplinas jurídicas, como também conhecimento de ética profissional, uma vez que, como já disse um ex-professor de filosofia do direito, a técnica nos realizará como bons profissionais, ao passo que a ética, nos realizará como gente (notícia completa aqui).

Apesar disso, o Senador Gilvam Borges (PMDB-AP) propôs um projeto de lei com o fim de acabar com o exame de ordem. Segundo ele (o exame de ordem) “é uma excrescência e precisa ser abolida do ordenamento jurídico do País”. “A prova não prova nada”, resumiu o político. Para o senador, o exame da OAB sequer avalia se o bacharel está apto ou não a exercer a profissão, apenas testa a capacidade de memorização do candidato. Para Gilvam Borges, a experiência demonstra que uma pessoa torna-se um bom advogado acumulando conhecimento ao longo dos anos, tomando por base o que aprendeu na faculdade e no próprio exercício da profissão.

Pura demagogia. A pessoa só memoriza aquilo que estuda. Além disso, é inconcebível que alguém estude seis anos numa universidade e não possa ser capaz de responder a um teste sobre direito. Se não consegue fazê-lo, que tipo de profissional exercerá a advocacia? Vai deixar para aprender direito quando aparecerem os clientes?

Com certeza, a idéia de facilitar a entrada de qualquer um na profissão não vai ajudar na melhoria da advocacia.

Etiqueta machista barbaridade

It’s Her Job

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Peso ideal

Peso ideal não é aquele que a pessoa sente-se bem ao ler a balança; e sim quando as calças lhe servem.

Dad´s radio

Dad´s Radio

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Modelo 1975. / 1975 model.

Folgadões faliram a livraria

Havia uma livraria especializada em direito  que eu adorava freqüentar e comprar livros. Era uma livraria pequena, mas confortável. Era possível sentar num sofá ou numa mesa e com toda calma examinar as obras. Fazia isso com freqüencia. Era silenciosa e não importava a época. O ar-condicionado sempre dava conta.

Mas, como acontece com quase tudo que é bom em Pelotas, fechou de repente…

Então sobrou outra livraria. Não que se trate de uma livraria ruim, pelo contrário. O pessoal é atencioso, tem uma enorme  variedade de livros e fica a uma distância da minha casa mais ou menos similar à antiga livraria. Agora, o conforto deixa a desejar, pois as obras tem que se consultar em pé…

Hoje, suando, consultando um livro em pé, falei para o atendente, antigo funcionário que  trabalhava na livraria que fechou, que sentia falta da antiga livraria, pois era possível consultar os livros sentado num sofá, e ele respondeu:

-Pois é, isso depende muito da cultura da cidade.

-”Aí vem bomba”, pensei…

-O senhor sabe que apareciam uns advogados, de terno e gravata, pasta de couro, sentavam na mesa, abriam os livros e puxavam os caderninhos, faziam as anotações, deixavam os livros e simandavam?

Ele acrescentou que os dias de chuva era o dia dos folgadões. Entravam na livraria se achando, copiavam o conteúdo das últimas edições dos melhores autores  e iam embora sem pagar.

Desfeito o mistério.

Desafio perdido

A Esfinge, leitora assídua deste blog, lançou um desafio para seus amigos. Pediu para eu escrever um texto que começa assim: “se eu fosse…seria…” Há um belo post no blog da Esfinge neste sentido, que começa assim:

“Se eu fosse uma hora do dia, seria o minuto seguinte”.

Tentei fazer, mas não consegui.

O que foi que houve? Estou numa fase ruim no trabalho.  Desde que voltei das férias. Nada deu certo desde que voltei. A impressora estragou, o PC da era mezosóica do meu colega da sala também estragou, tenho que dividir meu computador com ele, para imprimir um documento tenho usar a impressora do andar de baixo e  pedir a um funcionário que traga o trabalho para mim.  Por causa disso ando com  alergias na pele que começam a coçar, não posso fazer isso, mas acabo me coçando e piora a situação.

Assim, está complicado usar a abstração e colocar no papel, digo na tela.

Mas para não deixar a Esfinge triste, pelo menos uma frase eu consegui fazer, que resume bem a fase que estou passando:

Se eu fosse escritor, morreria de fome.

Posso dizer que estou cansado, aborrecido, rabugento, mas  ainda não perdi o humor :-)

Beijão na Esfinge, e espero que no próximo desafio eu esteja em melhor forma!

Consumidora C&A

As lojas C&A vendem roupas baratas, que cabem razoavelmente bem no bolso de um servidor municipal de nível “superior”, como é o meu caso.

Numa das andanças pela C&A, na fila da caixa, na minha frente havia uma senhora na faixa dos 50 anos, cerca de um metro e sessenta de altura, pesando uns 70 kilos, usando aquelas calças de academia, mostrando generosamente as formas dos glúteos (a camiseta não escondia) esbravejando, gritando e segurando o cartão C&A para a pobre servidora que a atendia: “então vou pagar essa m….!”

O povão descobriu o crédito ao consumidor. Com os juros lá em baixo, as financeiras colocam um exército de empregados que chegam a puxar os potenciais clientes pelo braço.  Sequer hoje precisa comprovar renda ou ter ficha limpa nos órgãos de proteção ao crédito. Não precisa mais nada para obter crédito. Só quem está na fila do caixa precisa de paciência com a ansiedade do povão em  lidar com esse novo-velho instrumento capitalista ;-)

Refinaria Ipiranga agora é da Petrobras, Braskem e Ultra

Vivendo longe do coração econômico do país, normalmente as decisões tomadas pelas megaempresas não têm grande influência na vida das pessoas que moram na zona sul do Rio Grande do Sul. Mas hoje foi um dia de exceção, pois a Petrobras, Braskem e o Grupo Ultra compraram o Grupo Ipiranga por 4 bilhões de dólares.

A transação afeta a região, porque na cidade de Rio Grande, situada a 300 km de Porto Alegre, localiza-se a refinaria da Ipiranga. Operando desde 1937, a refinaria esteve ameaçada de fechamento no ano passado por conta da valorização do câmbio e a queda do preço do petróleo.

A partir de agora, com a venda do Grupo Ipiranga para a Petrobras, Grupo Ultra e Braskem, cada uma das empresas será proprietária de um terço da refinaria, segundo informado pela Bloomberg.

A expectativa é que com a aquisição da refinaria seja injetado novo ânimo nas suas operações com a promessa de investimentos das empresas adquirentes.

A região ficará na expectativa.

De bombacha e sem emprego

O sonhado investimento de 1 bilhão de dólares na empobrecida zona sul do Estado do Estado do Rio Grande do Sul foi suspenso temporariamente. Trata-se de uma fábrica de celulose, prometida pelo grupo Votorantim, que foi assunto durante meses nos jornais locais e estaduais. Em Pelotas, a Câmara de Vereadores chegou a aprovar um projeto de lei autorizando a cidade firmar consórcio que repartiria com outros municípios da região o aumento da arrecadação de ICMS que a fábrica geraria.

A razão declarada pela suspensão do projeto da instalação da fábrica é o atraso no processo de licenciamento ambiental. Coincidência ou não, o anúncio veio depois dos assentados dos acampamentos do MST, por orientação do INCRA, destruirem as mudas de eucaliptos fornecidas pela empresa.

Some-se aos problemas de licenciamento ambiental a resistência de grupos radicais e de alguns políticos, que são manifestamente contra a vinda da fábrica, por temerem que a paisagem do sul do Rio Grande do Sul transforme-se num “deserto verde” de eucaliptos , matéria-prima das fábricas de celulose.

Na verdade, a zona sul do estado já se transformou num deserto verde, com tanta terra ociosa que existe.

Nesta região do estado não só a terra tornou-se ociosa, mas também a população assim ficou, dada a profunda crise de empregos. No fim de semana passado, em viagem por uma cidadezinha daqui de perto, cheguei a ver numa esquina dois homens adultos, sentados na calçada e encostados na parede. Acredito que o desânimo com a vida era tanto que quando encontraram-se sequer tiveram vontade de procurar por uma mesa para sentar. Sentaram ali mesmo.

Esse é o retrato da zona sul. Assentada numa paisagem verde, monótona, plana que fez a alegria de poetas e escritores no passado, mas no presente a população sofre com a falta perspectivas e de trabalho.

Quem melhor retratou a situação foi o prefeito de Arroio Grande, ao saber da suspensão do projeto, afirmou: “minha cidade tem 133 anos e dezenove mil habitantes, sabe por quê? Por que as pessoas vão embora para outros lugares atrás de emprego.”

Com tantos problemas jurídicos e políticos, é possível que seja o investimento seja repensado para lugares em que haja maior receptividade para receber a fábrica.

E aqui fiquemos trovando de bombacha, chimarrão e sem emprego…

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